sábado, 4 de abril de 2009

Vox Sambou vai ao Brasil em novembro para shows e atividades sociais...



Foi definido hoje um pré-roteiro para a viagem de Vox Sambou ao Brasil em novembro deste ano (2009). São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia estão no roteiro, que vai mesclar atividades sociais e shows do artista haitiano, que levará como "banda de apoio" alguns dos integrantes do Nomadic Massive (coletivo de artistas de Montreal, Canadá) e grupo do qual Vox é integrante. O Nomadic esteve em São Paulo em novembro do ano passado, quando participou de atividades na Ação Educativa, na Fundação Casa de Itaquera, na ONG Eremim (Osasco) - com a participação de Nelson Triunfo -, na Casa de Hip-Hop de Diadema, em evento do Irmandade Negra em Itaquera e - por fim! - encerrou a semana com uma apresentação no Jive Clube. O canadense-senegalês Antoine Mauffette Alavo (na foto com Vox) estará na equipe de produção desta viagem junto comigo. Antoine morou em BH, onde trabalhou com Ibrahima Gaye, da Casa da África, e com o grupo NUC, que esteve comigo em Cuba em intercâmbio realizado em 2004 (por essa razão, o rapaz fala português!!!).

Links associados:

Clã Leste é o campeão do DMC Brasil Campeonato entre Equipes


Acabo de saber pelo meu mano de quebrada (Vila Guarani/Vila Primavera, zona leste de SP), Erick Jay, que o Clã Leste é o campeão do DMC Brasil Campeonato Entre Equipes. Erick é integrante do Clã Leste ao lado do veterano DJ Zulu, RM, Soares, Buiu (Irmandade Negra, de Itaquera)... A notícia chegou fresquinha (o campeonato ocorreu entre 14h e 19h na Boate Jive), vi o e-mail dele agora, 22h... Em setembro, o Clã Leste representará o Brasil na competição de equipes em Londres (no ano passado, DJ RM foi o DJ brasileiro a ir representar o país lá no velho mundo...). Em tempo: I) esta foi a primeira edição do campeonato de equipes no Brasil. II) Os DJs Erick Jay e RM vinham sendo os principais campeões do extinto campeonato Hip Hop DJ, realizado por 10 anos por Kl Jay e Xis em Sampa... Links: 1 - Matéria publicada no site da Caros Amigos em fevereiro de 2008 sobre a fita mixada "Rotação 33", de Kl Jay e o Hip Hop DJ na qual utilizei entrevista feita com Erick Jay:



2 - Myspace do DMC Brasil:



3 - Myspace do Clã Leste:



segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Angel Wainaina, do Kenya para o mundo... Dia do enterro é também o do nascimento da organização AngelTrust


Angel Wainaina (na foto, de vestido verde, à direita), poeta, rapper e ativista do Kenya, foi enterrada hoje, 23 de fevereiro de 2009. Angel, que tinha apenas 25 anos, se encontrava dentro de um supermercado de Nairóbi quando teve início um incêndio e a gerência do supermercado, leviana ou criminosamente, entendeu que deveria trancar as portas da loja para evitar saqueamentos. Eu, Mafoane Odara, Priscilla Ferreira (na foto, à esquerda de Angel), Érica Ferreira (de azul escuro) e Viviane Cruz (entre Érica e Khadim, senegalês) conhecemos Angel em julho de 2008, quando estivemos na Ilha de Gorée (Senegal), para um curso voltado a direitos humanos e questões de gênero. Panikinho, da posse Aliança Negra (Cidade Tiradentes - SP), também conheceu Angel, quando esteve no Fórum Social Mundial em janeiro de 2007, no país natal dela. Lá ele conheceu Ian Kamau, de Toronto, com quem encontrei pela primeira vez em Havana, em julho de 2006... Rachel, nossa amiga da Etiópia, também "conectada" em Gorée, havia comentado encontrar Angel em vários eventos internacionais em África... O que denota um pouco de seu empenho em discutir e conectar-se com soluções para as problemáticas pelas quais militava - juventude, pobreza, racismo, acesso a educação, alimentação, saúde... Angel era também atriz e apresentadora de um programa na Ghetto Radio, no qual fazia circular informações úteis sobre direitos das populações das favelas dos país. Quando nos conhecemos, deixei com ela cópias de CDs do Z'África Brasil e do DJ Kl Jay e ela deixou comigo uma cópia do documentário sobre a Ghetto Radio, do qual é a apresentadora. Nele ela aponta a perda que é para o seu país e para a luta dos direitos civis dos jovens a mortandade entre eles, principalmente por causa de confrontos com a polícia e de complicações decorrentes da Aids e da disseminação do vírus HIV. Angel foi enterrada quase um mês após o incêndio no supermercado, em função da dificuldade da localização de seus restos mortais. Foi por um email do Ian Kamau - também rapper e poeta - recebido HOJE que eu soube que está sendo criada no Kenya uma organização dedicada a promover direitos humanos e o respeito à vida batizada com o nome de "AngelTrust" (numa livre tradução minha, algo como "a crença da Angel" ou "em que Angel acredita"). Aproveito pra fazer uma convocatória: toda ajuda é bem-vinda - falamos de uma causa integrada às questões de quem deseja um mundo menos desigual, como menos racismo, mais acesso a bens vitais essenciais. Seja disseminando a existência da organização; seja informando a organização sobre localidades em que palestras ou oficinas sobre direitos humanos são necessárias; seja com donativos... Para maiores informações, escreva (em inglês) para o Omar Jabbar, da Ghetto Radio (info@ghettoradio.nl). Link para o site da organização: http://angeltrust.org/. Página da radio: http://www.ghettoradio.nl Em tempo: a garota de tranças compridas na foto é Nomsa, da Zâmbia.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Quituteira, "bana bana" ou "mama benz": uma breve reflexão sobre o papel da mulher na economia em África e em países da diáspora




Por Liliane Braga*


A sombra da árvore a ajuda a se proteger do sol. Ao seu redor, balaios guardam mangas, bananas, amendoim, castanhas... Ela se veste de muitos tons. A saia é feita do mesmo tecido de onde foi tirado o torso e o pano da costa que recai sobre o ombro.
Não, não estamos diante de um quadro de Debret[1] retratando o Rio de Janeiro do Brasil colonial. Também não estamos na Bahia de um dia qualquer do ano atual. Estamos no ano de 2008 em Gorée, Senegal – litoral oeste do continente africano e um dos três principais entrepostos de tráfico negreiro pelo oceano Atlântico.
O que diferencia e o que aproxima as mulheres comerciantes desta ilha das vendedeiras afro-brasileiras, escravas de ganho que viraram quituteiras e que circulam pelas ruas, praças, feiras do lado de lá do além-mar?
O que as aproxima não é a vestimenta apenas, não são os seus cestos, esses que vemos, que há centenas de anos lhes possibilitam rendimentos. O que as aproxima é um balaio cultural existente em diferentes países da África e da diáspora africana e que é geracional, de mãe para filha, de avó para neta, e do qual faz parte a vestimenta; do qual fazem parte práticas culturais que estão nas cozinhas, nos cultos, nos quintais... E está na função de comerciante também, daquela que lida com dinheiro e bens.
No Brasil, essas mulheres são depositárias de patrimônios civilizatórios e do conhecimento espiritual do Candomblé. São “quituteiras”, “baianas de acarajé”. Foram fundamentais para o surgimento das escolas de Samba. Manipulam significantes quantias de dinheiro para realizar as atividades que as agrupações culturais e espirituais exigem. Fora de suas comunidades, fazem parte da fachada turística de cidades como Rio de Janeiro e Salvador na Bahia. Para a sociedade, engrossam o mercado informal e, além de comerciantes, são faxineiras, cozinheiras, lavadeiras.
Em Gana, país anglófono do oeste africano ao sudoeste do Senegal, as mulheres comerciantes são chamadas de “mama benz”, como me contou a economista jamaicana Mariama Williams: atrás de sua banquinha de fruta, há alguém dirigindo o seu carro de luxo, muitas vezes, um “Mercedes Benz”. A banca de frutas na calçada pode “esconder” fortunas, denotando um fenômeno complexo de se analisar.
Na Jamaica, país anglófono do Caribe, elas são comumente tratadas por “higglers”, palavra de origem pejorativa. Por meio das economias acumuladas por elas, são pagos os estudos dos filhos que, muitas vezes, vão completar sua formação em outros países. Apesar da escolarização precária e do fato de que, na Jamaica, essas mulheres se comunicam mais em patuá do que no “idioma oficial” (o inglês), essas mulheres se organizam em associações financeiras chamadas “Su su”, pelas quais chegam a comprar casas e acumular bens. Nesse tipo de associação, várias mulheres se comprometem a depositar determinada quantia a cada mês e, ao fim de um determinado período, uma delas é beneficiada com o valor acumulado. Todas têm que se comprometer a continuar no “negócio” após o seu próprio saque, até que as demais sejam beneficiadas também.
No Senegal, toda comerciante, ou “bana bana”, como são chamadas em wolof, pertence a uma associação ou “mbootay”. O “tontine” – que é o “su su” das senegalesas – pode ser usado para salvar as economias de quem precise comprar móveis para a casa ou realizar a peregrinação a Meca, a cidade sagrada dos mulçumanos – que representam 94% dos 9.800.000 de habitantes desse país africano. Ao final do período de depósito, todas as mulheres associadas sacam a quantia acumulada e realizam juntas a peregrinação.
As mulheres sempre foram comerciantes no território senegalês. A chegada do Islã, por volta do século VII, não as impediu de continuar desenvolvendo esse papel e as práticas tradicionais foram conciliadas com as leis do Alcorão. Quando nasce uma criança, é a mulher quem conduz a cerimônia em que o bebê ganhará um nome antes mesmo da participação do Imã – o líder religioso islâmico..
Segundo informações coletadas no site da rede internacional “Women in Informal Employment: Globalizing and Organizing[2]” (WIEGO), do total de mulheres trabalhadoras na África sub-saariana, 84% delas estão no mercado de trabalho informal (excluindo empregos na agricultura), enquanto entre os homens “empregados” esse número é de 63%. Na América Latina, 58% do total de mulheres trabalhadoras estão nesse mercado, contra 48% do total percentual de homens atuantes no mercado de trabalho. Essas informações demonstram que, nos países em desenvolvimento, o emprego informal é um setor de emprego que envolve mais mulheres do que homens. Em complemento aos números, quituteiras, bana banas e mama benz comunicam identidades culturais complexas e importantes paras as economias de países da África e da diáspora.

Liliane Braga tem 31 anos e é jornalista independente, mestre em Psicologia Social e produtora de intercâmbios de Hip-Hop, cultura que acredita favorecer a construção de identidades positivamente afirmadas a partir da releitura crítica dos processos históricos que marginalizaram negros(as) e outros grupos humanos mundo-afora. E-mail: bragaliliane@hotmail.com




[1] Jean-Baptiste Debret (1768/1848), pintor e desenhista francês que integrou a chamada “Missão Francesa”, que fundou no Rio de Janeiro a Academia Imperial de Belas Artes. De volta à França, Debret publicou “Viagem Pitoresca e História ao Brasil”, trabalho em que procura relatar não só aspectos da natureza ou da política no Brasil, mas também costumes, religião e cultura. O cotidiano das ruas do Rio de Janeiro do século XIX é um de seus enfoques.
[2] “Mulheres no Trabalho Informal: Globalizando e Organizando”

sábado, 9 de agosto de 2008

Sobre o blog Diaspóricas...


Diaspóricas nasceu de uma diáspora. Mas as diásporas são muitas. Eu sou uma diaspórica, apesar dessa não ser minha única identidade. Diaspóricas fala de diásporas. Não de todas elas. Fala de diásporas africanas, negras diásporas...